O ser como ato primeiro e fundamental
por Santo Tomás de Aquino
Tradução por Abner Benedetto
9/7/20251 min read
Quodlibet XII, q. 5, a. 1, corpus
A opinião de Avicena era que o uno e o ente sempre predicam um acidente. Isso, porém, não é verdadeiro, pois o uno, enquanto se converte com o ente, significa a substância da coisa, e, do mesmo modo, o próprio ente; mas o uno, enquanto é princípio do número, significa um acidente.
Deve-se saber, pois, que toda coisa que está em potência e em ato torna-se atual por isto: participar de um ato superior. Contudo, algo torna-se maximamente atual ao participar, por semelhança, do ato primeiro e puro. O ato primeiro, no entanto, é o ser subsistente por si mesmo (esse subsistens per se). Donde toda coisa recebe completude (completionem) ao participar do ser. Portanto, o ser é o completivo de toda forma, pois por meio dele se completa aquilo que tem ser, e tem ser quando está em ato. E, por conseguinte, nenhuma forma é senão pelo ser.
E assim, digo que o ser substancial da coisa não é um acidente, mas a atualidade de qualquer forma existente (actualitas cuiuslibet formae existentis), quer sem matéria, quer com matéria. E como o ser é a completude de todas as coisas, daí resulta que o efeito próprio de Deus é o ser (proprius effectus Dei est esse), e nenhuma causa dá o ser senão na medida em que participa da operação divina; e assim, propriamente falando, não é um acidente.


